Ohhh meus amigos….
Abril 13, 2008
é sem duvida o meu mais estimado odio de estimação… Não percebo o fenómeno Anthony.
Bruno Snatanera
Janeiro 25, 2008
Estava eu a lutar na net em encontrar material para um belo Moodboard para sábado e de repente algo me chama a atenção na TV …
Biostabiel
espetacular!
eis que faço a minha pesquisa e aqui vai aquilo que me desconcentrou completamente do meu trabalho….
http://uncyclopedia.org/wiki/Biostabiel
(a uncyclopedia é também um projecto a explorar mais tarde neste blog)
O Valor na troca simbólica do produto (II)
Novembro 27, 2007
“Tando o aparato psíquico (como dizia Freud), como os mecanismos económicos e sociais da produção e do consumo industriais participaram de um mesmo dispositivo, onde os afectos e os impulsos, a voluptuosidade e o prazer entrariam como variáveis determinantes na fixação do valor e das trocas4”, define Maria Teresa Cruz relativamente à importancia da ligação entre imagem e corpo – no entanto é de salientar a descrição das novas variáveis de valor e troca, que se transladam do valor de uso para a valor de intimidade (que implica na sua defenição toque e cumplicidade). Este valor de intimidade define-se como uma aproximação do produto ao sujeito via simulação do toque pela recriação abstracta da experiência (previamente recolhida do real) ou por interface físico que mimetiza a experiência (re-cria uma realidade artificial). Uma intimidade à distância que por não ser atingida torna-se valor de troca simbolica, é valorizada pela segurança que transmite por não provocar disturbios na ordem individual pré-estabelecida.
Perante a segunda ordem de simulacro de Baudrillard, o valor de uso imediato desaparece quando “a produção em grande série, inerente ao sistema da maquinaria, elimina toda a relação com a necessidade directa do produtor5”, sendo substituído (o valor de uso) por “valor de troca6”, uma simples representação desta relação de troca e, portanto, “a sua utilidade é apenas uma condição7”. O valor de intimidade entre o sujeito e o medium, medium este que “assume, em simulatâneo, as funções de armazenamento e de transmissão, e para o qual todas as qualidade sensíveis se transformam numa só realidade – a informação8”.
Abolindo a definição clássica de valor de troca enquanto instância do produto que tem correspondência directa a capital (valor referencial – referência à fisicalidade) prevalece um “outro estádio do valor, o da relatividade total, da comutação geral, combinatória e da simulação9”. Trata-se de uma troca de signos que se alteram na definição do produto sem efectivamente se trocarem na realidade – é da interpretação do produto que advem o valor e o seu valor é atribuido pelo sua presente instância no contexto (enquanto referência de signo).10
Produto no fim da produção ganha uma dimensão para além da matéria a que se reduz – a materia e todo o código de projecto do producto não têm valor próprio; o valor é atribuido pelo pulsar do desejo do sujeito que nele se revê e atribui valor, validando o producto concordantemente com a sua definição de realidade. O producto é desprovido de valor na sua existência antes da validação, validação esta que o posiocionará em diferentes estratos de valor criando uma correspondência directa em capital. Toda a dinâmica da produção industrial contemporânea baseia-se numa moeda de troca que à muito deixou de ter um correspondente real em ouro, o que define a moeda como a primeira mercadoria que existe no plano do signo – uma correspondência a uma ideia de valor que não existe na realidade, é apenas um mecanismo de regulação da economia global. A moeda “escapa ao valor de troca”, define-se como um simulacro autónomo, uma informação que se troca a ela mesma, configurando “o niilismo do mercado – onde nada tem valor porque tudo se contém em equivalências, em trocas indiferentes às relações11”.
4
Miranda, José Bragança / Cruz, Maria Teresa (org.), Crítica das Ligações na Era da Técnica, Lisboa, Tropismos, 2002, p.
5
Marc, Karl / Supek, Rudi, Consequências Socias da Maquinaria Automatizada, Textos Exemplares 2, Porto, 1973, p.23
6
Valor de Troca, enquanto referência ao valor de troca descrito no texto Consequências Socias da Maquinaria Automatizada, de Karl Marx
7
Marx, Karl / Supek, Rudi, Consequências Socias da Maquinaria Automatizada, Textos Exemplares 2, Porto, 1973, p.23
8
Miranda, José Bragança / Cruz, Maria Teresa (org.), Crítica das Ligações na Era da Técnica, Lisboa, Tropismos, 2002, p.34
9
Baudrillard, Jean, A Troca Simbólica e a Morte – I, Edições 70, 1976, p.20
10
Na indeterminação na definição de valor, o postura de Karl Marx a reduzir o valor de uso e troca real, ou seja, o valor esta latente na funcionalidade do produto remete-nos para uma atitude discordante a uma realidade que vive da significação, e da validação extra valor real de produção. A troca simbólica substitui a troca de produto na defenição de valor do próprio produto – serve de exemplo a sobrevalorização de um automóvel clássico perante o que define vs. o real valor enquanto potencial de deslocação.
11
Lopes, Silvina Rodrigues, A Volta do Mar – Revista Intervalo I, Vendaval / Diatribe, 2005
All buildings will be doubles (I)
Novembro 13, 2007
All buildings will be doubles
Nigel Coate
Reflexão: Habitar o Duplo
O “Cours en Linguistique Générale” (1915) de Ferdiand de Saussure assim como a sua defenição da semântica estrutural orientou o projecto modernista nas décadas seguintes no seu atrofismo dircursivo – a falência (anunciada por Heidegger na denuncia do projecto moderno inadequado ao “ser no tempo”) do paralelo entre texto e habitar enquanto articulação dos conceitos e dos “fonemas” (ferramentas) confrontou a arquitectura com uma nova realidade de projecto: a clareza do discurso, a assertividade do projecto, a evidêndia das aspirações e pensamentos colonizantes que pouco espaço dedicam à subjectividade criaram um ciclo degenerativo do projecto “universal”. “Tudo se torna indeterminável por efeito característico da dominação do código, em que toda a parte assenta no princípio da neutralização e da indiferença.”1 aponta Baudrillard como consequência do actual sistema de imagens e signos, sistema este que se aliementa da sua auto-regeneração, substituição e comutação, contráriamente à estaticidade do programa estruturalista.
Voltando à frase de Coates, a ideia de duplo distancia-se de toda a abordagem linear do significado/significante – o duplo no seu contexto (quer na frase exposta, quer na sua existência etéria de conceito) encerra em si a ambiguidade e a discordância. Uma discordância que potencia a movimentação excêntrica relativa aquele que reflete, verdadeiramente desviante na noção de positivo como antagónico reflexo do negativo. Um duplo de sentido (valores de uso2) e duplo de alternativo ou aquele que substitui o original (reprodução do original descontextualizando o primordial tempo e espaço, ou seja, uma reprodução anacrónica que determina um novo valor3).
O edifício/construção é então o objecto do habitar, objecto que materializa a nossa posição no mundo, a nossa postura perante o existir – uma postura minada pela multiplicidade de identidades, desdobramentos e informações contraditórias que caracterizam o real validado (ou a nossa concepção de realidade material e virtual que pela validação consolida um real) e os seu valor atribuido. Habitar não é somente abrigo e programa, é também simulacro do nosso ideal intangivel de existência. Assim conlui-se que todas as nossas construções de abrigo serão também palco da representação dos desdobramentos da existência, numa atitude adaptativa ao real em constante mutação.
1
Baudrillard, Jean, “A Troca Simbólica e a Morte” – I, Edições 70, 1996, p.23
2
Valor de uso, enquanto referência ao valor uso descrito no texto “Consequências Socias da Maquinaria Automatizada”, de Karl Marx
3
“Mesmo na repordução mais perfeita falta uma coisa: o aqui e agora da obra de arte – a sua existência única no lugar em que se encontra.”, A Obra de Arte na Era da Sua Reprodutibilidade Técnica, p.77 – serve esta citação de Walter Benjamin para extrapolar a ideia que a recriação como acto (re)criativo que potencia uma regeneração de valor. A crítica elabora com base nesta citação é relativa a um objecto (produto) por conseguinte deverá dissociar-se o valor artístico da autenticidade e focar a nossa análise no valor do objecto.
Apresentação
Novembro 13, 2007
Algumas ideias nunca se concretizam… pensamentos que se perdem ou projectos que não avançam. Usarei este espaço para expor o que a meio do caminho ficou, esquecido numa gaveta qualquer do meu quarto.